segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Reduzindo riscos de cheias e secas, produzondo energia, canais, túneis e reservatórios

Pesadelos com bons paliativos
O início do período de chuvas fortes e seus pesadelos mostram como perdemos tempo, dinheiro e vidas humanas desprezando o que a Humanidade já sabe fazer há muito tempo.
A Engenharia, apesar das ARTs (ART - Anotação de Responsabilidade Técnica) e alvarás, ou dizendo o contrário, ignorando a necessidade de bom planejamento urbano e rigor técnico a favor de sentimentos de direito discutíveis, viabilizou por ação ou omissão diante de leis demagógicas ou oportunistas a ocupação de lugares perigosos ou de preservação ambiental racional.
Paramos no tempo também, ou pior, regredimos com medo de propor coisas que possam desagradar os gurus verdes e direitos humanos mal definidos.
Maravilhosamente chegamos a uma condição de resolver nossos problemas, se isso for prioridade política.
Além do respeito à Natureza o Brasil, sua geologia, hidrologia, topografia etc. já permitem sonhar com algo mais do que simplesmente voltar aos tempos das florestas.
Graças à evolução tecnológica e à existência de bons serviços de meteorologia e, quem sabe, no futuro trabalhos confiáveis de climatologia com sistemas eficazes de aquisição e processamento de dados, tudo nas mãos de profissionais especialmente treinados e respeitados, bem pagos e motivados, será possível a viabilização de mega-sistemas de coleta, acumulação, desvio e distribuição de águas das chuvas entre diversas bacias, lagos, grandes rios e o oceano é uma possibilidade real de enfrentar períodos tormentosos que ainda não exploramos, possibilitando-nos refletir sobre os PACs e outros programas em andamento. Prioridades?
A exemplo de muitos países desenvolvidos (Construir canais e diques, uma experiência milenar na Holanda, 2010) e até milenares (Grande Canal da China) podemos reduzir os efeitos das enchentes e períodos de estiagem com obras relativamente simples, apesar de monumentais, se tivermos disposição e competência.
Os projetos em desenvolvimento no Brasil mostram custos que já fazem de Itaipu uma simples etapa e dão a certeza de que chegamos ao ponto de sonhar com Engenharia real e de alto nível a favor do nosso povo.
Temos perto de Curitiba e da cidade de São Paulo, por exemplo, duas hidroelétricas que poderiam ser vinte vezes maiores e terem múltiplas funções, desde que complementadas com reservatórios distribuídos e canais interligando microbacias, reservatórios e a costa atlântica.
O preço da energia elétrica, um detalhe menor se considerarmos o ganho com a segurança no abastecimento de água e esgotamento de excessos, tudo considerado, pensado e ajustado ao que pudermos fazer, justificaria essa visão que já teve uma preliminar na década de sessenta quando recebemos na Escola Federal de Engenharia de Itajubá o convite para trabalhar na COPEL, turma de 1968. O Projeto de Reversão do Rio Negro, à época considerado apenas para geração de energia elétrica, daria uma usina de quatro mil MW ao Paraná.
Era energia demais para o sul do Brasil e foi substituído por hidrelétricas menores.
Agora temos carga, dinheiro, sistema de transmissão pesado, tecnologia e condições de realizar algo realmente capaz de trazer um conjunto de benefícios ao povo brasileiro.
Basicamente devemos pensar em unir bacias, criar sistemas de acumulação de água e aproveitamento residual em energia elétrica, unindo sistemas hídricos e aproveitando, quando existir a proximidade do mar, o desvio para redução de fluxo e geração de energia em grande quantidade, possível graças aos grandes desníveis que a Serra do Mar criou.
Vale registrar a sinergia total se soluções dessa espécie acontecerem. Na situação atual temos apenas um circuito para as águas, a calha de seus rios. Interligando-os teremos mais um (pelo menos) instrumento de regulação extremamente importante.
Sempre vale lembrar que muitos rios brasileiros nascem perto do mar para então seguirem cursos enormes até desaguarem no Atlântico.
Estaremos construindo “caixas d’água” e “ladrões” para não sermos surpreendidos por enchentes ou secas evitáveis.
Há dois milênios os chineses fizeram imensos canais e diques com enorme sucesso e nós estamos ainda desperdiçando água e perdendo oportunidades, pode?
Logo o Governo Federal deverá rever concessões via ANEEL, é hora de por essas hipóteses em discussão.
Evidentemente um programa desses deve ser antecedido por estudos e anteprojetos cuidadosamente elaborados, discutidos, analisados. Nada pode ser feito sem ponderações e avaliações precisas. Felizmente temos no Brasil cultura, laboratórios e boas equipes para esse tipo de trabalho. É só querer.

Cascaes
23.12.2011
ART - Anotação de Responsabilidade Técnica. (s.d.). Fonte: CREA-PR: http://www.crea-pr.org.br/crea3/html3_site/art_inicial_duvidas.htm
Castro, H. (4 de 11 de 2010). Construir canais e diques, uma experiência milenar na Holanda. Fonte: Viajologia: http://colunas.epoca.globo.com/viajologia/2010/11/04/construir-canais-e-diques-uma-experiencia-milenar-na-holanda/
Grande Canal da China. (s.d.). Fonte: Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Canal_da_China

sábado, 3 de setembro de 2011

Funções técnicas, cargos estratégicos e tribunais técnicos.


Ainda não superamos a barreira da má influência política ou de investidores irresponsáveis em cargos estratégicos. Talvez isso nenhum país tenha conseguido. Pode-se imaginar isso diante das neuroses humanas e suas limitações. O pesadelo é proporcional ao tamanho das instalações e de riscos inerentes à sua estrutura. Descobrimos, no caso do acidente de Fukushima, que até países desenvolvidos não dominam técnicas de vigilância e gerenciamento em atividades essenciais de grande complexidade.
Isso é um assunto que mereceria uma ONU especial, alguma entidade internacional que no mínimo definisse notas e indicadores de qualidade e risco. Ficaríamos surpresos com as notas.
No Brasil constatamos o óbvio, a degradação do DNIT, por exemplo. A sensação que temos, contudo, é que por má-fé, incompetência ou ignorância o problema é infinitamente maior.
Naturalmente o que mexe com emoções é a corrupção. Temos até tribunais para analisar rituais de contratos e pagamento de contas.
Não temos tribunais técnicos.
Não existem entidades independentes e bem equipadas auditando a qualidade técnica de coisa nenhuma. As agências reguladoras são uma tremenda ilusão, verbas contingenciadas e ingerência política mataram uma ideia que poderia ser boa.
As lutas contra a inflação e a estabilização financeira do Brasil demoliram a tecnologia em todas as atividades de destaque. Faltava dinheiro para tudo. A improvisação e o desprezo pela qualidade atingiram níveis absurdos.
As empresas descobriram que gastar dinheiro com publicidade era mais eficaz do que investir em bons serviços. No Brasil vale o “engana que eu gosto”.
As seguradoras parecem que agem sem concorrência, a impressão é que a cartelização é a regra em tudo.
No Setor Elétrico ouvimos coisas espantosas, como, por exemplo, grandes transformadores queimando porque na outra ponta a empresa de transmissão resolveu aplicar de forma temerária o religamento automático. Os atrasos na entrada em operação de grandes máquinas parecem algo natural e quando o sistema cai algumas concessionárias simplesmente dão a impressão de estarem sem a proteção de “load shedding”, deixando para outras o ônus do reequilíbrio entre carga e geração.
A má qualidade das obras e o gerenciamento incompreensível desmonta portos e aeroportos sem maiores explicações e até explosão de gasoduto aconteceu sob chuvas fortes, parece piada.
O pesadelo poderá ser maior. Aliás, existe sem que as pessoas reclamem. Nossas cidades crescem sem parar, em caso extremo, contudo, que perigos a população poderá enfrentar em caso de calamidade?
As ruas e avenidas não são de borracha, por onde se deslocarão ambulâncias, carros de bombeiros, de policia e a própria população? Quais são os planos do que denominamos “Defesa Civil”? Os planejadores estão atentos? Temos até estádios de futebol no centro das cidades, pode?
Energia elétrica, exemplificando, é essencial a praticamente todas as atividades humanas. E o que vemos? Uma infinidade de ONGs dizendo besteiras monumentais em torno da transformação e produção de energia. É até compreensível que muitos desprezem seus filhos e amigos, afinal, a muitos o ser humano é a praga da Natureza...
O que é real é a fragilidade da Humanidade. Em todos os setores, da Saúde à Energia dependemos mais e mais de grandes instalações, serviços e soluções táticas e estratégicas. Quem governa isso tudo? Quais são os critérios de definição de gerentes? Como estão os nossos cursos de terceiro grau e a formação de técnicos?
Dizem que Deus é brasileiro. Quando vemos acidentes como o do bondinho de Santa Tereza a impressão que dá é que nem a estátua do Cristo Redentor consegue convencer o Grande Arquiteto do Universo de que fazer pouco das leis da Natureza pode ser um direito de algumas nações.
Acorda Brasil.

Cascaes
4.9.2011



segunda-feira, 4 de abril de 2011

Bombas residentes

Bombas residentes
Pensei muito antes de escrever este artigo. O tema principal é extremamente delicado, tem significado na área energética e minha vida profissional me obriga a ser responsável ao extremo. Falar de Fukushima é tratar de algo extremamente sério, mais ainda quando nos arrogamos o direito de comentar um acidente catastrófico num país considerado de Primeiro Mundo.
O Japão passou por uma série de tragédias em que tudo o que aconteceu e ainda virá de Fukushima exige atenção especial de todos nós, em todos os seus aspectos e outro maior, que é a urgência de novas técnicas e paradigmas. A sustentabilidade da vida humana depende disso tudo, ou seja, de mudança de comportamentos e maior atenção por planos, projetos, qualidade técnica e operacional, menos lucro monetário e mais responsabilidade social.
Nesse caso o foco principal é a Usina Nuclear de Fukushima (Fukushima I nuclear accidents, 2011). O acidente dessa central de energia elétrica deve nos obrigar a repensar a ousadia tecnológica, quando atinge certos níveis de periculosidade. Demonstrou, mais uma vez, o que é uma usina nuclear construída para produção de energia elétrica, aproveitando as lógicas da fissão nuclear “controlada” e a fragilidade de sistemas que sempre podem ser danificados por omissão, má fé, erro de projeto, causas naturais etc.
Durante algum tempo minha (vou usar a primeira pessoa do singular) preocupação foi entender a diferença entre bombas atômicas e reatores nucleares. No mundo inúmeras bombas foram usadas em testes para “desenvolvimento de novas armas”, e contra alvos civis o Japão teve duas cidades destruídas dessa forma (Hiroshima e Nagasaki). Em imensas áreas de testes artefatos nucleares potentíssimos explodiram durante anos, fruto da histeria bélica criada com a Guerra não muito fria.
Por quê as experiências com bombas atômicas e de hidrogênio causaram poucas vítimas e danos ambientais insignificantes enquanto no Brasil, por exemplo, uma pequena pastilha de material radiativo (Nícoli) matou ou lesionou seriamente dezenas de pessoas e em Chernobyl (USINA NUCLEAR) dezenas de milhares de pessoas acabaram morrendo por efeito inequívoco da radioatividade?
Pensando mais fica evidente a diferença entre bombas e usinas. A quantidade de material contaminado que é lançado na atmosfera por acidentes com usinas ou lixo radioativo exposto explica a violência desses acidentes.
Bombas atômicas e de hidrogênio têm um volume muitíssimo menor de material contaminado que é espalhado na atmosfera do que o criado por um reator instalado em uma usina de energia nuclear que exploda. Pior ainda, no desespero para evitarem a explosão do núcleo, no caso de Fukushima, foram obrigados a jogar água do mar (extremamente corrosiva e condutora de eletricidade) sobre o núcleo criando vapor e sais contaminados...
Ou seja, Fukushima provavelmente inviabilizará a vida humana numa grande área durante décadas e matará muita gente ao longo desse tempo.
O Brasil e muitos outros países estavam retomando a construção de centrais termonucleares.
Onde?
Na década de oitenta tivemos muitas manifestações contra a Usina de Angra dos Reis, afinal Itaorna significa “pedra mole” e diziam que naquela região estávamos sujeitos a terremotos. Angra I já existia e operava mal, era a usina pirilampo, custou caro reformá-la.
Agora temos duas e vamos para a terceira usina no mesmo local.
Assim, com nosso “jeitinho brasileiro”, em uma bela praia entre Rio de Janeiro e São Paulo, à beira mar onde outros fenômenos naturais podem nos trazer maremotos (vimos o que isso significa), teremos mais uma usina atômica. Se algo semelhante ao que aconteceu em Chernobyl se repetir por lá, imporia a evacuação, talvez, de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Dirão que a probabilidade disso acontecer é pequeníssima, o risco compensa, entretanto? Temos estatísticas públicas, confiáveis? Existe transparência?
Os lobbies industriais e empresariais em geral e o efeito “Ponte do Rio Kway”, um filme que ilustra o envolvimento e a paixão dos homens por suas obras, nem sempre convenientes, podem explicar a insistência em se fazer usinas atômicas no Brasil, isso sem esquecer que temos um complexo industrial específico precisando de encomendas.
É justo?
Vamos para o pré-sal apesar do acidente no Golfo do México e agora para mais usinas nucleares. Será este o caminho? Nossa legislação é razoável? Existe alguma forma de se avaliar contratos, editais, obras etc. de forma segura?
No Brasil, talvez por efeito da ingênua Lei 8.666/93 (Congresso e Poder Executivo Federal) e sua péssima regulamentação, a lógica criada nas décadas de crise e a visão pueril da Engenharia [Dr. Cristiano Kok (Cascaes)], a boa técnica foi deixada de lado a favor da oferta de menor preço e máximo lucro. Assim temos aprendido a conviver com situações absurdas e ser obrigados a ver obras e serviços ruins, compensados por campanhas publicitárias elogiando as empresas e governos. O resultado, naturalmente, é (não apenas “era”) péssimo, quando não absurdo.
Estamos construindo grandes barragens, mais estradas (diques), pontes, ferrovias etc. e vamos para 4 usinas nucleares.
Será que o povo e o nosso Congresso Nacional discutiu tudo isso com profundidade e sabe o que está fazendo?
Errar é humano, repetir erros é burrice, talvez suicídio.
Cascaes
3.4.2011

Fukushima I nuclear accidents. (2011). Fonte: Wikipedia, the free encyclopedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Fukushima_I_nuclear_accidents
Cascaes, J. C. (s.d.). Degradação de obras brasileiras e os projetos. Fonte: Ponderações engenheirais: http://pensando-na-engenharia.blogspot.com/2011/01/degradacao-de-obras-brasileiras-e-os.html
Congresso e Poder Executivo Federal. (s.d.). Lei 8.666 de 21 de junho de 1993. Acesso em 12 de 12 de 2010, disponível em Presidência da República Federativa do Brasil: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8666cons.htm
Gustavo Santos Masili, R. J. (s.d.). USINA NUCLEAR. Acesso em 4 de 3 de 2011, disponível em FEM, Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp: http://www.fem.unicamp.br/~em313/paginas/nuclear/nuclear.htm,
Nícoli, I. G. (s.d.). O ACIDENTE DE GOIÂNIA. Acesso em 4 de 4 de 2011, disponível em DISASTER - info: http://www.disaster-info.net/lideres/portugues/brasil%2006/Apresenta%E7%F5es/Iedaacidentegoiania01.pdf

domingo, 13 de março de 2011

Grandes instalações, equipes e gerentes especiais.

Grandes instalações, equipes e gerentes especiais.
No Brasil a Engenharia se tornou opção profissional de terceira linha (Ponderações Engenheirais).
Qualquer família consciente das dificuldades que os filhos enfrentarão e as opções relativamente ruins de salário procurará convencer o filho a ser advogado ou algo parecido. Com sorte terá oportunidade de trabalhar para o Poder Judiciário, onde a segurança e os salários são significativamente maiores. Vale até a pena abandonar atividade fora para assumir postos secundários no Judiciário.
Nossas prefeituras, sem recursos proporcionais às suas responsabilidades (Modernização administrativa), a maior parte do dinheiro do contribuinte vai para a União sustentar lógicas bancárias, contratam mal. Os estados não ficam longe da lógica de manter padrões baixos, existe até a limitação hierárquica em relação à União, onde precisam de mais e mais gente para fazer tão pouco.
No ambiente estatal a filosofia que norteou a famigerada Lei 8.666/93 (Congresso e Poder Executivo Federal) pode até ser boa, mas a regulamentação desta lei é precária, sua aplicação ruim e serve muito pouco para evitar o que pretendia, afinal as máfias entendem de leis e o povo é mantido na ignorância. O principal resultado foi colocar a redução de custos e maximização de lucros (estatais de capital misto) como prioridades acima de qualquer análise de razoabilidade técnica.
O problema “competição” atinge fortemente, talvez mais, as empresas privadas industriais. A atração por lucros e a competição com empresas e países sem leis nem documentos degradou suas lógicas técnicas.
A privatização das grandes estatais teve resultados catastróficos, principalmente nos Estados Unidos da América do Norte, onde algumas concessionárias causaram prejuízos colossais.
A verdade é que se analisarmos os grandes acidentes e falhas prolongadas de serviços, erros de planejamento etc.. sentiremos que a Humanidade pode ter ultrapassado o limite de suas competências, não sendo capaz de usar de forma adequada seus conhecimentos e mostrando-se, aí reside o perigo, incapaz de governar, administrar, projetar, fazer, manter, operar instalações de risco.
Não se deve elogiar antes do tempo. Tudo indicava que o Japão se sairia bem do terremoto desse início de março, até chegarem notícias dos acidentes com as usinas nucleares, incrível!
O terremoto no Japão talvez demonstre essa tese, a dificuldade de gerenciar grandes instalações, após análises bem feitas do que está acontecendo com suas usinas nucleares. Considerando o país em que foram instaladas, deveriam ter sistemas de segurança e padrões de qualidade de altíssimo nível. Estamos vendo, contudo, que talvez por erros humanos e/ou materiais pelo menos uma central nuclear está sofrendo um processo de destruição extremamente perigoso e inaceitável.
O pior é que acidentes absurdos aconteceram em diversos lugares do mundo. Significativamente o desastre com a plataforma de petróleo no Golfo do México (Jones), onde por muito pouco não vimos uma tragédia colossal, é um dos exemplos mais chocantes desse cenário. Isso vale para tudo, do Concorde (O absurdo final do caso da queda do Concorde em Julho de 2000), como vimos numa reportagem de investigação técnica na TV até a explosão do gasoduto em SC, sempre deixando-nos assustados com o padrão de cuidados que essas instalações deveriam ter.
A festa dos grandes chefes é anunciar lucros extravagantes e a forma como tratam seus funcionários. Até cafezinho cortam. Para quê?
O povo precisa acordar e entender que não existe milagre. Que boas equipes exigem treinamento intensivo, bons salários, tratamento digno. Que não se compra uma usina simplesmente pelo menor preço, por exemplo.
Alguém, por acaso, gostaria de entrar em avião imaginando que o comandante e o piloto foram aqueles que se dispuseram a aceitar o pior salário? Estando doentes, aceitarão, se tiverem opções, o médico e o hospital de menor custo? Quando vão ao supermercado, só procuram as etiquetas de preço?
A economia radical faz sentido quando se “vive a pão e mexerica”, como dizem em Santa Catarina. Podendo, devemos exigir qualidade, segurança, confiabilidade, respeito a padrões técnicos e competência de quem faz, serve, cuida dos lugares que frequentamos.
Infelizmente nossas leis são feitas por pessoas de pouco preparo para analisá-las e as corporações nem sempre são comandadas por profissionais experientes, esses, aliás, não têm tempo para ir de discurso a discurso, solenidade a solenidade, precisam, podem e trabalham para sustentar a família.
Felizmente temos agora a possibilidade da transparência, o potencial fabuloso dos meios de comunicação, a chance de avançarmos mais rumo a uma Democracia Direta sem intermediários (Cascaes, Democracia Direta sem intermediários). Com certeza nada será pior do que a situação que a humanidade enfrenta.
Não podemos delegar nossa segurança, de nossos filhos e netos. O mundo está ficando complexo, perigoso demais para chefes improvisados, técnicos mal preparados, disciplinas burras e descuidos fatais.
Ou aprendemos a cuidar da gente, ou seremos mais uma espécie extinta, não por efeito da impaciência da Natureza, mas pela omissão e incompetência nossa.

Cascaes
13.3.2011

Cascaes, J. C. (s.d.). Fonte: Ponderações Engenheirais: 28
Cascaes, J. C. (s.d.). Democracia Direta sem intermediários. Acesso em 10 de 3 de 2011, disponível em a favor da Democracia no Brasil: http://afavordademocracianbrasil.blogspot.com/2011/03/democracia-direta-sem-intermediarios.html
Congresso e Poder Executivo Federal. (s.d.). Lei 8.666 de 21 de junho de 1993. Acesso em 12 de 12 de 2010, disponível em Presidência da República Federativa do Brasil: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8666cons.htm
Jones, P. J. (s.d.). Vazamento de Óleo no Golfo do México foi causado, não acidente. Acesso em 13 de 3 de 2011, disponível em New World Order - Pesquisas com fundamentos sobre Cannabis, Política, Religião, Crise Econômica, Gripe do Porco, H1N1-Influenza, Nova Ordem Mundial, Illuminati, Capitalismo, Codex Alimentarius e Depolulação: http://tilesexperts.com/wordpress/os-illuminati/vazamento-de-oleo-nvazamento-de-oleo-no-golfo-do-mexico-foi-causado-nao-acidente/
Modernização administrativa. (s.d.). Acesso em 13 de 3 de 2011, disponível em O Estado: http://www.oestadoce.com.br/index.php?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=13¬iciaID=42787
O absurdo final do caso da queda do Concorde em Julho de 2000. (s.d.). Acesso em 13 de 3 de 2011, disponível em Aviões e Música: http://www.avioesemusicas.com/aviacao/o-absurdo-final-do-caso-da-queda-do-concorde-em-julho-de-2000/?wpmp_switcher=mobile

sexta-feira, 11 de março de 2011

Coleta de lixo inteligente




Interessa às empresas dedicadas a coletar, pesar e cobrar pelo lixo?

Talvez em 2050 estejamos lá.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O Planejamento a longo, médio e curto prazo de uma cidade, estado ou país.

Precisamos refazer paradigmas, diretrizes, rediscutir critérios, pensar no futuro como se fôssemos construir um planeta diferente. Por diversas razões, inclusive sociais, é importante agir dessa maneira.
O planejamento divide-se em diversas etapas.
O que devemos fazer de imediato está muito preso ao que existe. Gradativamente, contudo, pode-se mudar muito, ou quase tudo. É só uma questão de não esquecer que podemos refazer tudo.
Isso é importante porque a Natureza não é estática, não para. Se acreditamos que as pirâmides são eternas, esquecemos que um simples asteroide pode pulverizar aqueles montes de pedra e continentes inteiros. O contrário também é possível, continentes podem submergir no magma, ou pelo menos parte deles.
Vivemos sob ameaças constantes e, graças à inteligência de alguns, temos a possibilidade de encontrar soluções que nos salvem de algumas catástrofes possíveis e melhorem a vida de todos nós.
No passado isso sempre existiu.
A Humanidade seguiu os primeiros passos de uma maneira que têm semelhança total com a Pirâmide de Maslow, ainda que as prioridades fossem eventualmente demolidas por líderes totalitários, tiranos simplesmente ou lideranças religiosas mais preocupadas com a vida no outro mundo.
Para não esquecer, transcrevendo da Wikipédia, a “Pirâmide” seria a hierarquização de nossas preocupações da seguinte forma:
 necessidades fisiológicas (básicas), tais como a fome, a sede, o sono, o sexo, a excreção, o abrigo;
 necessidades de segurança, que vão da simples necessidade de sentir-se seguro dentro de uma casa a formas mais elaboradas de segurança como um emprego estável, um plano de saúde ou um seguro de vida;
 necessidades sociais ou de amor, afeto, afeição e sentimentos tais como os de pertencer a um grupo ou fazer parte de um clube;
 necessidades de estima, que passam por duas vertentes, o reconhecimento das nossas capacidades pessoais e o reconhecimento dos outros face à nossa capacidade de adequação às funções que desempenhamos;
 necessidades de auto-realização, em que o indivíduo procura tornar-se aquilo que ele pode ser: "What humans can be, they must be: they must be true to their own nature!" (Tradução: "O que os humanos podem ser, eles devem ser: Eles devem ser verdadeiros com a sua própria natureza).
É neste último patamar da pirâmide que Maslow considera que a pessoa tem que ser coerente com aquilo que é na realidade "... temos de ser tudo o que somos capazes de ser, desenvolver os nossos potenciais".
Para a visão do futuro de forma consciente precisamos colocar essas questões a todos os seres pensantes e desafiá-los a se organizarem, a pensarem objetivamente no futuro.
É um trabalho de Hércules que principalmente as melhores entidades de classe poderiam abraçar, juntando forças. Isso não significa fazer congressos caros (e excludentes) em lugares de luxo. Podemos, via internet, colocar teses, procurar convencer, organizar ideias, convergir para propostas. O fundamental é tentar agir com honestidade intelectual, sem sectarismos políticos, sem a preocupação de agradar gurus. No mínimo estaríamos contribuindo para educar e informar nossos futuros terráqueos racionais.
Esse blog (Brasil 2050) mostra alguns links de cidades que já pensam no futuro mais distante, fantástico se tivesse mais.
Seria ótimo se aqui ou em outro ambiente o Mundo 2050 estivesse em discussão em todos os seus aspectos, do uso das calçadas aos trens de alta velocidade, do cigarro à cachaça, do agigantamento de cidades ao deslocamento delas para lugares melhores (vejam Blumenau 2050) e de tudo o mais relativo à forma de viver de nossos netos e seus descendentes.
A única convicção que temos é a de que precisamos mudar, mas... para onde? O quê? Quanto? Como? Quando? Qual o custo? Quem?

Cascaes
27.2.2011

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Planos, projetos e futuro

Os mais velhos sabem quanto o mundo mudou hábitos e fundamentos sociais, técnicos e econômicos neste último meio século.
Futurologia é algo extremamente questionável, mas em termos de cidades e países é absolutamente essencial, principalmente diante dos tempos cada vez maiores de maturação dos projetos.
Precisamos discutir democraticamente o que pretendemos, dando-se tempo para ajustes, sempre que necessário.
Obviamente só os mais jovens aproveitarão ao máximo o que se planejar para tempos mais distantes, essa é, contudo, a nossa obrigação.
Com certeza tudo começa de forma romântica, a partir de teses consagradas, via de regra desprezando-se mudanças de comportamentos e paradigmas importantíssimos que a Terra e seus habitantes exigirão. Paciência! Não existe outro caminho, a menos que se tenha dons paranormais.
Assim vimos com satisfação, apesar de sentimentos de desprezo iniciais, a preocupação dos blumenauenses com a sua cidade nos próximos anos, até o horizonte de 2050. Lá o povo pagou muito caro, eventualmente com tragédias familiares, o simplismo técnico.
Não faz sentido repetirem erros, mais ainda no Vale do Itajaí, terra fertilíssima, bela e rebelde.
O exemplo precisa ser imitado, se possível com padrões realmente profissionais e participação intensa da população. Imaginamos que cidades menores tenham dificuldades de contratar os melhores profissionais, o que não é verdade para as maiores.
Lamentavelmente vivemos a ilusão das entidades fechadas de planejamento, necessárias quando o Brasil começava, não tinha opções. Agora estamos noutra fase, quando poderemos estimular e encontrar gente de primeira linha escondida em universidades e empresas talvez distantes. Até pela fase econômica positiva que o Brasil vive, deveria mobilizar os melhores do mundo para assessorar prefeitos, governadores e o próprio presidente da República. O custo compensa.
Note-se que a genialidade não se mede em número de laudas, amontoados de contas e desenhos, gráficos confusos etc. dos grandes gênios teremos a segurança de escolher os melhores caminhos, que nos ajudarão a encontrar.
Precisamos ter e regularmente atualizar diretrizes, afinal as surpresas acontecem e até o mais competentes erram.
No Paraná há muito a ser feito, usando nosso exemplo caseiro. Quais seriam as prioridades? As circenses? Acessibilidade? Mobilidade? Desenvolvimento industrial? Agroindústria? Infraestrutura? Educação? Outras?
Quem tem o direito de errar desde que devidamente esclarecido é o nosso povo, o eleitor, o contribuinte, mas não podemos esquecer que o planejamento e grandes projetos não serão para os mais velhos de agora.
O exemplo de Blumenau merece ser analisado, acompanhado e até apoiado, alguém tem sugestões?
Temos muito a ser feito, não podemos desperdiçar dinheiro, contudo. Projetos errados, mal concebidos e fora do tempo certo dão prejuízos imensos.
Nada mais barato e de retorno tão garantido quanto a prudência e humidade, sem pusilanimidade e disposição para imaginar cenários, identificar indicadores e começar a planejar, democraticamente, o nosso futuro distante.
Nossos filhos, netos e bisnetos agradecem..

Cascaes
12.1.2011

Blumenau 2050 - um exemplo de caso